segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O sistema de transportes no Rio de Janeiro

Um dos piores problemas do Rio de Janeiro atualmente é o transporte. Isso pode ser claramente percebido no cotidiano da população carioca: custo alto e perda de muito tempo para se locomover das áreas de residência para as de trabalho e lazer.

Assim, para relatar este caos, o Jornal do Brasil publicou em 24/05/2004 uma matéria sobre o tema:

"A pesquisa mostra que, no Rio, o tempo de deslocamento médio é de uma hora e 24 minutos entre a residência e o emprego e vice-versa. Nesse quesito, a Região Metropolitana do Estado fica empatada com a de São Paulo, também na pior colocação.
Distrito Federal, Salvador, Fortaleza e Belém tiveram melhores resultados, com uma hora, em média. Quando se observa a parte da população que perde mais de uma hora no trajeto, o resultado é mais desigual. Enquanto no Rio esse índice é de 56,9%, em São Paulo ele é de 50,5%. Nesse quesito, Porto Alegre se sai melhor, com 33,6%".

Os motivos deste caos no sistema de transportes são diversos, assim, gostaria aqui de citar os mais importantes: a) falta de planejamento urbano, na contramão de cidades como Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e do Distrito Federal; b) precariedade nas obras de infra-estrutura, principalmente, de pavimentação urbana; c) sistema de transporte público ineficiente; d) investimentos insuficientes em transporte de massa; e) falta de integração multimodal.

a) A falta de planejamento urbano da cidade do Rio de Janeiro é notória e a favelização é um bom exemplo disto.
A conseqüência imediata é a concentração populacional em áreas específicas e a falta de integração entre o transporte e as áreas mais distantes do centro da cidade. Áreas como Botafogo, Copacabana e Centro da Cidade estão hoje saturadas, e vias importantes como Lagoa-Barra, Ponte Rio-Niterói, Av. Brasil e Linha Amarela ficam bastante congestionadas nos horários de entrada e saída do trabalho.
Além disso, a incompatibilidade entre as necessidades da população e o oferecimento de transporte público é grande e sua conseqüência é o excesso de ônibus na Zona Sul e a falta de ônibus na Zona Oeste.
A forma de se realizar o planejamento urbano é através da atualização e cumprimento do Plano Diretor que deve ser discutido com a população, através das associações de moradores, e ser específico para cada uma das áreas de planejamento atualmente existentes na cidade;

b) A pavimentação de vias urbanas também é outra triste situação em nossa cidade. A Prefeitura, atualmente, em vez de utilizar o sistema de recapeamento, faz uso de uma política de "tapa-buracos". Com os intemperismos naturais, o cimento depois de secar, dilata, causando assim a destruição de mais áreas pavimentadas. Ou seja, tampa-se um buraco, para em pouco tempo, ser necessário tampar novos outros, gerando um ciclo vicioso.

c) O sistema de transporte público, no caso específico dos ônibus, funciona por um sistema de concessão, não de licitação. Este é um grande motivo da ineficiência e precariedade dos ônibus. Grande parte destes não sofre vistoria e não está em condições de oferecer esse serviço à população.

d) A cidade da música consumiu algo em torno de R$ 600 milhões até agora. Uma verdadeira inversão de prioridades. Enquanto o município deixa de investir no metrô, que é a espinha dorsal de qualquer sistema moderno de transportes, gasta a maior parte de seus recursos construindo a Cidade da Música. Falta de planejamento e de diálogo com a população dá nisso, em inversão de prioridades.

e) Por último, cito a falta de planejamento em relação a um sistema multimodal de transportes: ônibus, metrô, trem e barca devem se integrar complementando-se. Cidades como São Paulo, na gestão de Marta Suplicy (PT-SP) adotaram o Bilhete Único, sistema que permite à população utilizar a combinação de transportes mais rápida por um preço fixo. Para isso, a cidade subsidia as empresas de transporte. Essa experiência deu certo em São Paulo e em Curitiba. O Rio de Janeiro, por sua vez, não pode ficar para trás.

Um comentário:

Gabriel Arruda disse...

Bom texto!

Também lembrei da Cidade da Música, mas por outra coisa. Esse projeto faraônico do César Maia foi colocado num lugar péssimo em termos de planejamento, mas que fica bem à mostra. O elefante branco fica no cruzamento da Avenida das Américas, maior avenida da Barra, e da Av. Ayrton Senna, sem dúvidas a mais congestionada do bairro. Quem quiser entrar na "Cidade" vai ter que enfrentar essas vias e vai contribuir pra travar o caminho dos outros.

Também pensei nas vans, que têm suprido uma demanda interessante, e alguns dizem em acabar com elas. Acho que tem que legalizar as que são ilícitas e regular, não tirar.

Por fim, lembrei de uma aula, falávamos se o ônibus do metrô fazia parte do sistema do metrô ou não, o que teria conseqüências diversas. A conclusão é simples, se você escreve "metrô" (ou coisas mais elaboradas, como unidade de integração, módulo de superfície, etc) em um ônibus, ele continua sendo um ônibus.

Abraço